O combate ao trabalho escravo moderno é responsabilidade do consumidor?

Texto 1

Escravidão moderna é uma expressão que define relações de trabalho em que pessoas são forçadas a exercer uma atividade contra sua vontade, sob a ameaça de detenção, violência e inclusive morte. Embora a escravidão no Brasil tenha sido oficialmente extinta em 13 de maio de 1888, em 1995 o governo brasileiro reconheceu a existência de condições de trabalho análogas à escravidão no território nacional. Entre 1995 e 2005, 18 mil trabalhadores foram libertados por ações conjuntas do Ministério do Trabalho e Emprego e das polícias estaduais e federal.

(“Escravidão moderna”. https://pt.wikipedia.org. Adaptado.)

Texto 2

De acordo com a ONG Made In A Free World, que tem como objetivo erradicar o trabalho escravo no mundo, mais de 29 milhões de pessoas, incluindo crianças, foram escravizadas no planeta em 2014. E o pior: elas trabalham, frequentemente, na cadeia de produção de muitos dos bens de consumo que a gente tem em casa, do seu celular e de suas roupas e até na extração de matéria-prima para produtos de beleza e de limpeza, construção civil e mineração.

(Ana Freitas. “Quantos escravos você tem?”. http://revistagalileu.globo.com, 30.06.2014. Adaptado.)

Texto 3

Em pleno século 21, aqui, no Brasil, o trabalho escravo está em todo o país, muito provavelmente na sua cidade, no seu bairro. Nos diversos fornecedores da indústria têxtil, na pecuária, na agricultura, na indústria madeireira, na construção civil, nas carvoarias.

Mas, calma. Você não tem nada a ver com isso. Porque você não sabia de nada disso. Ou ainda que soubesse, entende que não há o que possa fazer. Não é você quem contrata essas pessoas e as submete a condições de trabalho horríveis.

Só que agora você sabe. Vai ter de admitir que sabe, e encarar cada escolha. Sabendo. Que quatro ônibus com 235 trabalhadores em situação análoga a de escravos foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal do Piauí. Que imigrantes de 12 anos de idade trabalham 16 horas por dia para fazer roupas que são vendidas por aí.

Não é fácil lavar as mãos.

Hoje, eu só vim aqui para te fazer notar que você não nota.

Que existe trabalho escravo. Aos montes. Agora. Não há 150 anos, em período escravocrata. Aqui, no Brasil, não em Zimbábue. Em Goiás, Minas, Santa Catarina, Pará.

Hoje, eu vim aqui para dizer que você tem tudo a ver com isso.

E aí? Quantos escravos trabalham para você?

(Anna Haddad. “Quantos escravos trabalham para você?”. http://www.papodehomem.com.br, 01.04.2013. Adaptado.)

Texto 4

A todo momento, os meios de comunicação noticiam denúncia de empresa que explora o trabalho das pessoas. Mas a responsabilidade não deve ser atribuída ao consumidor.

Você até pode deixar de comprar determinado produto porque sua consciência manda, mas, em dias ou meses, mais uma denúncia acontece. Dessa vez, é outra marca que explora as pessoas. E o consumidor se vê, mais uma vez, tendo que mudar seu destino de compra.

Mas é ao cliente que cabe “punir” as empresas acusadas de trabalho escravo? Não deveria caber ao governo e às outras empresas a fiscalização relacionada a essa prática? Será que as leis não deveriam ser mais duras e a fiscalização mais certeira?

Não cabe ao consumidor ser o fiscal nem o promotor dessas ações. Ele deve, sim, denunciar quando houver suspeita. Mas fiscalizar e punir é de total responsabilidade do Estado.

(Roberta Romão. “Trabalho escravo: a culpa é de quem?”. http://consumidorconsciente.eco.br, 13.05.2015. Adaptado.)

Com base em seus conhecimentos e nos textos apresentados, redija uma dissertação, na norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O combate ao trabalho escravo moderno é responsabilidade do consumidor?

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