Medidas para a redução do consumo de sódio: entre o combate à obesidade e a afronta às escolhas individuais dos consumidores

Texto 1

O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que quer proibir a venda de refil para refrigerantes em redes fast-food do país.

Segundo ele, este modelo de venda aumenta em 30% o consumo de refrigerantes. Uma lata de 350 ml do líquido tem, em média, 25 mg de sódio (sal de cozinha). As versões light e diet costumam conter quantidades ainda maiores.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares divulgada pelo ministério, o brasileiro consome 2,4 vezes mais sódio que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que é 5 g por dia.

(Luiza Garonce. “Ministro da Saúde quer proibir refil de refrigerantes em fast-foods”. www.g1.globo.com, 13.06.2017. Adaptado.)

Texto 2

De acordo com o Ministro da Saúde, além da restrição ao refil de refrigerante, o governo estuda outras ações para deter o avanço da obesidade – caso de acordos para adoção de “dosadores” de sal e açúcar nas embalagens desses produtos e da proibição a saleiros na mesa de restaurantes. “O saleiro já é proibido em alguns países e é um caminho que temos que avançar”, afirma.

Ao todo, já foram retirados 17 mil toneladas de sódio dos alimentos desde 2011, quando o acordo foi firmado. Apesar do avanço, os dados ainda ficam muito abaixo da meta, que prevê a retirada de 28,5 mil toneladas de sódio até 2020.

O Ministério anunciou um novo acordo com a indústria para que haja nova redução no sódio de categorias de alimentos que já haviam sido avaliadas, como pães, massas e bisnaguinhas.

“Não podemos descaracterizar produtos. Não esqueçam da expressão ‘comida de hospital’, que ninguém vai comer. É um trabalho muito grande para que possamos ter substitutos e ter alimentos mais saudáveis”, afirma Cláudio Zanão, presidente da Associação das Indústrias de Biscoitos, Massas, Pães e Bolos Industrializados.

Segundo a coordenadora de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa, a redução de sódio nos alimentos é importante para o controle do excesso de peso e obesidade, fatores de risco para doenças como hipertensão e diabetes. Nesse sentido, o país vai mal: nos últimos dez anos, o índice de brasileiros adultos com quadro de obesidade nas capitais do país cresceu 60% – passou de 11,8%, em 2006, a 18,9% em 2016.

(Natália Cancian. “Ministério da Saúde quer proibir refil de refrigerante em fast-food”. www.folha.uol.com.br, 13.06.2017. Adaptado.)

Texto 3

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, criticou a proposta de proibir refil de refrigerantes em redes de fast-food. Para ele, a medida representa uma afronta às escolhas individuais e ao direito comercial. Pela mesma razão, Solmucci disse ser contrário à ideia de se proibir o uso de saleiros nas mesas de restaurantes, também apresentada pelo Ministro da Saúde.

“Queremos ajudar o governo. Mas a proibição do saleiro ou do refil seria uma forma de se tutelar a vida do cidadão. Será que ele vai também proibir o torresmo em Minas? O self-service?”, questionou.

Solmucci lembrou de uma lei do Espírito Santo, de 2015, que também proibia o uso do saleiro nos restaurantes, mais tarde considerada pela Justiça como inconstitucional. “Não seria melhor fazer uma campanha para a população consumir menos, ou para cozinheiros usarem menos sal na cozinha?”, disse.

Para Solmucci, a divulgação das propostas revela que o ministro está aflito com a situação atual. “É uma demonstração de impotência diante de um problema grave, que é o consumo em excesso de sal.”

(Lígia Formenti. “Associação de restaurantes critica proposta de proibir refil de refrigerantes”. http://saude.estadao.com.br, 14.06.2017. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escre