Censurar imagens de pessoas fora do padrão estético é uma forma adequada de combater o cyberbullying?

Texto 1

Cyberbullying é o bullying realizado por meio das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas mídias sociais, plataformas de mensagens, plataformas de jogos e celulares. É o comportamento repetido, com intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas. Quando o bullying ocorre on-line, pode parecer que o indivíduo está sendo atacado por todos os lados, inclusive dentro da sua própria casa. Parece que não há como escapar.

(“Cyberbullying: o que é e como pará-lo”. www.unicef.org. Adaptado.)

Texto 2

Débora se sentia linda em certa noite. Ela estava em uma confraternização com a família, quando fez uma selfie com o celular. A jovem, na época com 15 anos, compartilhou a fotografia em seu perfil no Facebook. O registro, feito em um momento de alegria, tornou-se um dos maiores traumas de sua vida.

Após publicar a selfie na rede social, a jovem notou que desconhecidos estavam compartilhando a fotografia. Ela descobriu que havia se tornado meme — como são chamadas as imagens de humor replicadas exaustivamente em redes sociais — em razão de sua aparência. Enquanto a selfie arrancava risadas daqueles que compartilhavam a imagem, Débora chorava em seu quarto na periferia da zona sul de São Paulo (SP).

A repercussão da imagem fez com que a garota evitasse sair de casa para não ser reconhecida. “Eu me sentia muito feia, muito humilhada e inferior a outras meninas. Nos comentários sobre os memes com a minha foto, falavam muito sobre a minha aparência e isso me chateava”, conta Débora, atualmente com 22 anos. Na época, ela abandonou a escola, deixou de sair de casa e chegou a tentar o suicídio.

Por meio de nota, o Facebook informou que bullying e assédio violam os padrões da comunidade da rede social. No comunicado, a empresa solicita que as pessoas denunciem conteúdos que acharem que não deveriam estar na plataforma. Débora, porém, afirma que desde 2012 tem denunciado todos os memes com sua selfie, mas as imagens nunca foram excluídas.

O Facebook declarou, em comunicado, que a rede social tem atuado cada vez mais para coibir os casos de bullying. Em 2018, lançou uma ferramenta de revisão de fotos, vídeos ou postagens, por meio da qual é possível pedir que determinada denúncia, caso não tenha tido os resultados esperados, seja reavaliada.

(Vinícius Lemos. “‘Virei meme e minha vida se tornou um pesadelo’: brasileira abandonou a escola e tentou se matar após piadas”. www.bbc.com, 19.07.2020. Adaptado.)

Texto 3

O TikTok orientou seus moderadores a censurar vídeos nos quais aparecessem pessoas consideradas fora do padrão estético. Estas instruções foram encontradas em documentos internos aos quais o The Intercept teve acesso.

Segundo esse veículo, as normas instruíam os funcionários do aplicativo a observar, nos vídeos, se as pessoas apresentavam algum tipo de “forma corporal anormal”, como aparência facial feia, muitas rugas no rosto ou ainda sorrisos tortos. Outras partes do corpo também eram observadas, pois nos documentos há menção a barrar pessoas com barriga de cerveja. A presença dessas características era o suficiente para que os tiktokkers ficassem de fora da indicação algorítmica, perdendo audiência.

Ao The Intercept, um porta-voz da ByteDance, empresa proprietária do aplicativo de vídeos curtos, disse que a maior parte das diretrizes obtidas pelo veículo não estão mais em uso ou, em alguns casos, nunca foram utilizadas, além de afirmar que elas foram criadas com o objetivo de combater o cyberbullying.

(André Luiz Dias Gonçalves. “TikTok é acusado de censurar vídeos de usuários ‘feios e pobres’”. www.tecmundo.com.br, 16.03.2020. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: Censurar imagens de pessoas fora do padrão estético é uma forma adequada de combater o cyberbullying?